Du quê tá fazendo nada
Ô então vá prá enxada
Pruveite sua neigia
Qui cabeça di jumento
Nunca pode tê talento
Mode fazê purizia.
Tonho Lambe-sola (Antonio Aurélio de Morais) Poeta Alagoano
Este é o tipo de "coisa" que eu queria muitíssimo ser capaz de construir. Fico completamente extasiado quando me deparo com um texto assim, dessa magnitude incrivelmente simples! Já me considerei um cara mais simples. Hoje, meditando sobre o assunto, vi que minha simplicidade residia na inocência, na falta de conhecimento técnico e no fato de pensar que sabia o suficiente pra criar. Depois de verificar isso, de enxergar e reconhecer esses fatores, percebi que mesmo pra ser simples é necessário "suar a camisa". Simplicidade não é sinônimo de facilidade, como eu pensara há tempos atrás, quando eu era apenas fácil!
Elencar palavras é relativamente fácil. Tenho rejeitado isto automatica e intencionalmente. Todavia não significa que rejeito alguns textos que já teci. É óbvio que não gosto dalguns, mas não os expurgo. São meus, são experimentações, são coisas sem êxito mas que me fizeram progredir -- pelo menos tenho a sensação de ter avançado de alguma forma. Agora, busco essa coisa complexa que de tão "simples" umas pessoas leem e têm a noção de ter entendido de primeira, como se um texto literário fosse um sempre mesmo...
O que me falta, ainda, é, como disse uma amiga, "ser mais sujinho". Tenho vasculhado meu portfólio textual e pude captar o sentido dessa adjetivação dada a mim. Alguns textos que escrevo são COMPLETAMENTE FORMAIS! Mesmo quando eu não quero que eles sejam!!! É meio instintivo. É um receio bobo de não parecer culto. É um pouco de orgulho também, manifestado por causa da minha primeira nota baixíssima na faculdade de Letras da Gama Filho. Foi uma porrada forte ter recebido um zero numa primeira avaliação... Foi um baque porque eu sempre fui considerado bom na área (Língua Portuguesa). Mas foi ótimo por ter me tirado do centro. Eu precisava dessa marginalização.
2011 -- mais um nível. Apertei o botão [compartilhar] XDElencar palavras é relativamente fácil. Tenho rejeitado isto automatica e intencionalmente. Todavia não significa que rejeito alguns textos que já teci. É óbvio que não gosto dalguns, mas não os expurgo. São meus, são experimentações, são coisas sem êxito mas que me fizeram progredir -- pelo menos tenho a sensação de ter avançado de alguma forma. Agora, busco essa coisa complexa que de tão "simples" umas pessoas leem e têm a noção de ter entendido de primeira, como se um texto literário fosse um sempre mesmo...
O que me falta, ainda, é, como disse uma amiga, "ser mais sujinho". Tenho vasculhado meu portfólio textual e pude captar o sentido dessa adjetivação dada a mim. Alguns textos que escrevo são COMPLETAMENTE FORMAIS! Mesmo quando eu não quero que eles sejam!!! É meio instintivo. É um receio bobo de não parecer culto. É um pouco de orgulho também, manifestado por causa da minha primeira nota baixíssima na faculdade de Letras da Gama Filho. Foi uma porrada forte ter recebido um zero numa primeira avaliação... Foi um baque porque eu sempre fui considerado bom na área (Língua Portuguesa). Mas foi ótimo por ter me tirado do centro. Eu precisava dessa marginalização.
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2 ironia(s):
É pura ironia escrever. O ato da escrita é tão irônico por se estar aberto a tudo, né? O texto é múltiplo, é ofensivo, é alentador, arrefece, 'calidece', enobrece e, de repente, somos avaliados tão negativamente, tão estupidamente. A experiência acadêmica, ao mesmo tempo que é libertária, é sufocante e limitante. Ainda bem que, escrevendo para todos, não escrevemos para ninguém que não seja nós mesmos e todos os que figuram em nós. Eu tenho um grande orgulho de você e amo quando os seus textos se convertem nestes desabafos intimistas, quase que psicanalíticos. Sua sinceridade é nobre, sua formalidade é mero detalhe. O seu coração é visto em todos os seus textos (até nos ruins) mesmo que sob camadas de ouro tão reluzentes. Sinto-me como você em várias das coisas que você disse.
Este comentário é assim, meio sem-noção, mas é que eu me lembrei de tantas coisas, então, meio que sem roteiro, quis vomitá-las todas aqui e, assim, compartilhá-las com você/s.
Porra, vc me deixou desconcertado com estas palavras... com os olhos marejando. Grato. Bjunda! =P
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