Dia desses eu estava agoniado por causa da chuva, que não parava, não dava u'a trégua. Arriégua! Então fiquei zanzando pra lá e pra cá, meio sem ter que fazer, meio perdido, qual cego em tiroteio, isso porque meu planejamento era dar u'as voltas pela rua no meu brinquedinho novo. Num desses momentos de andança por dentro de minha humirde residença, o André teve um estalo devido a uma observação. Pronto, outra ideia nascera.
Todavia, convivo com vozes. Melhor dizendo, convivemos com vozes arretadas no crânio. Vamos tentar um puzzle?
uma das vozes me disse: uma ideia assim e vc a considera grande? primeiro, vc não tem talento suficiente. segundo, não tem tempo. terceiro, não possui conhecimento... vai continuar?
outra, falou isto: mas o cotidiano... escreverás sobre coisas corriqueiras, ordinárias? não sei. há muitas outras coisas que nós humanos ainda não compreendemos e que precisam ser mais exploradas...
outra, argumentou assim: muitas pessoas discursam sobre coisas comuns, que se veem no dia a dia. Por que não investir no eu? Por que não falar dos acontecimentos que nos afligem dentro de nós?
a que foi a favor, disse: você vai ter de se esforçar bastante, e acredito em você, embora haja muitas coisas contra. O esforço demandará um maior detalhamento, talvez, pra descrever as cenas que virão de quando em quando. Uma boa dose de paciência carpinteira auxiliará no molde. E um capricho introspectivo pode dar o toque final. Siga.
a que não entendi, espirrou: mas... mas... mas... e o que ficou pra trás? her, não sei, olhe o arco-íris: tão incomum, tão belo, tão difícil, tão distante, tão misterioso, tão singelo.
outra, ponderou: a ideia me veio assim-assim, como o nascimento duma estrela, como um código criptografado que conheço. Eu vi o mover do Universo. Vi o Cosmo entrar em choque com o Caos. Eu estava ali, na hora certa, no lugar certo. Foi um trabalho da minha metafísica concreta. Vi jorrar duma fonte em que poucos estão acostumados a banhar-se. Eu quero!
E então, algo familiar? Não sei se feliz ou infelizmente pra mim é! O legal é que mesmo sozinho nunca estou só. Bem, o texto que sobrou pra mim foi esta compartilhada, mesmo sabendo que provavelmente não participarei de forma ativa do projeto em questão. Mas não me lamento por isso, por saber que não é muito minha praia, não tem muito a ver comigo e tals. Talvez, como prêmio de consolo, eu tente inventar uma coisinha aqui e ali, só pra sustentar meu ego mesmo. Meu? huh.
Zarathustra.
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2 ironia(s):
Ih, boiei! Caraca! Que feio! Ajuda o tio!
ajudo sim. em off.
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