Bom, outra vez um final de ano desastroso! Pelo iniciar da minha frase, você poderia se perguntar "Mas você falando sobre isso?". Fuckyeah! Ou você acha que o tio aqui não está sujeito a estas coisas?
Há oito anos atrás eu perdia meu pai, de maneira estúpida, de repente, sem tempo pra digerir, num piscar de olhos. Ele faleceu entre o Natal e o Ano Novo -- época de comemorações, em que Baco está comendo solto, e bebendo também! Me desfiz, me derramei em lágrimas, me desesperei, desacreditei...
Oito anos depois, embora com intensidade menor, meu tio Silvino, irmão de papai, também faleceu, e na mesma época, sendo enterrado no mesmo dia! A morte do meu tio, pelo menos pra mim, era esperada. Ele sofreu um AVC e ficou com sequelas, com um lado do corpo quase paralisado mas andando, com certa dificuldade. Depois, outros dois AVC's. A internação. O entubamento. A visita da Morte. Meu tio. Um cara bom, tranquilo, que gostava de ajudar aos outros, aos que podia.
Entretanto, ele não se importava muito com sua própria saúde. Fumou muito. Bebeu até não poder mais. Mesmo minha tia, Arlete, zelando pra que ele não agisse assim, não se acabasse. Ô homem teimoso, meu Deus! Casou-se com sua musa, e com ela viveu por cerca de quarenta anos. Trabalhou, construiu, aposentou. Viveu, enfim. Se tivesse se cuidado um pouco mais, gozaria mais os frutos de seu labor.
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